segunda-feira, 27 de agosto de 2007

Percepções do Sagrado

Nunca te vi com vestes luminosas
estranho estas nossas percepções
sempre te vejo onde quase ninguém olha
nos pés descalços vejo os teus pés
vidas sem rumo e de dores
passos marcados pelas dores da alma
é naquele olhar triste que te reconheço
olhar de quem perdeu a esperança
e necessita ser acolhido
naquele sorriso tímido
numa mistura de vergonha
com vontade de se sentir valorizado
vejo teu sorriso em outros sorrisos
nas roupas rasgadas te vejo
vidas rasgadas pela dor
dor de quem nunca foi amado
de quem um dia espera um olhar de afeto
nas mãos cheias de calos
vejo tuas mãos
de quem sempre lutou
e ainda sonha
em ser chamado de humano
nos rostos marcados pelas rugas do tempo
vejo o teu rosto
rugas que são histórias
rugas de dores e alegrias
nunca me aparecestes radiante
mas sempre humano
humano e desumano
sempre te vejo assim
te reconheço em seres humanos
que nunca foram e talvez nunca serão reconhecidos
és mais humano que eu

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